sábado, 25 de junho de 2011

Um pouco mais sobre a doença

Olá muriaenses!!

No meu artigo de estreia no Muriaé na Web (leia aqui), eu contei como recebi o convite para escrever no site. Agora, nesse meu segundo, vou explicar um pouco mais sobre a doença. Mas, afinal, o que é a endometriose? Como ela acontece? Eu disse apenas que a endo se dá a partir da menstruação. Mas como isso ocorre?


A endometriose é a presença do tecido chamado endométrio fora do seu habitat natural, o útero. O endométrio reveste o útero, e é o responsável por prepará-lo para receber o embrião. Quando não há a fecundação, o tecido endometrial se descama e é expelido na próxima menstruação. A cada ciclo menstrual essa rotina se repete. Porém, em alguns casos, ao invés de o endométrio descer pelas tubas uterinas até chegar à vagina, ele migra, por meio da corrente sanguínea, em sentido oposto, e se espalha em outros órgãos como ovários, intestinos, ligamentos pélvicos, como o úterossacro, bexiga, apêndice, vagina, mas pode ficar também no abdômen. Essa é a teoria da menstruação retrógrada. Quando isso ocorre, os focos de endo começam a se instalar em nossos órgãos. A endometriose pode se alojar, inclusive, dentro do músculo do útero. Nesse caso, o nome é adenomiose. Nos ovários, dá-se o nome de endometrioma. Em casos raros, ela pode ser encontrada em órgãos distantes como pulmão, pleura e sistema nervoso central.

A doença ainda não tem cura, mas pode ser muito bem controlada. O que os especialistas fazem, em primeiro lugar, é dar às portadoras, uma melhor qualidade de vida. O que tira essa ?qualidade? é a dor muito forte. Por conta das dores, muitas mulheres não saem mais de casa, não têm relação sexual com seus parceiros, não conseguem trabalhar. Ou seja, não tem vida social, afetiva e, muito menos, a profissional. A doença afeta também a vida familiar. Dependendo do caso, principalmente, em quem tem muita aderência pélvica (os órgãos colam uns aos outros), como eu tive, as dores são constantes e, muitas vezes, não conseguirmos explicar como é e, de onde vêm essas terríveis dores. Com isso, a família não acredita em nossas dores. Por isso, a endometriose é muito perigosa. Sem o apoio da família, do companheiro, dos amigos e, sem trabalho, a depressão é uma das consequências mais graves da doença. Mas, como a dispareunia, a depressão também merece um artigo especial aqui.

Outra coisa que quero corrigir é o número de portadoras. Em meu primeiro artigo, eu falei algo em torno de seis milhões de brasileiros, mas, pasmem, de acordo com o Censo 2010, esse número mais que dobrou. A população está mais feminina. Mais um motivo, pelo qual, a endometriose merece toda a devida atenção e tratamento adequado. Já somos 97.342.162 contra 93.390.532 homens. Então, cerca de 10 a 15 milhões de brasileiras têm endo. Eu também fiquei chocada! No mundo são mais 90 milhões. Muita gente, não! Pois é, mas pelo fato de nós, mulheres, adiarmos cada vez mais a maternidade, infelizmente, esse número só tende a aumentar. Por isso, além da importância de informar, o Brasil tem que ter uma nova atitude e traçar nova diretriz na chamada Saúde da Mulher.

Infelizmente, a endo não está na pauta da Saúde da Mulher para 2011. Em uma reunião realizada pelos ministros Alexandre Padilha, da Saúde, e Iriny Lopes, da secretaria de políticas para as mulheres, no dia 7 de fevereiro, no Ministério da Saúde, em Brasília, o tema abordado no capítulo III foi ?Saúde das mulheres, direitos sexuais e direitos reprodutivos?. Porém, as unicas doenças citadas foram câncer e a AIDS. Aí, eu pergunto: qual outra moléstia agrega em uma só, a saúde das mulheres, os direitos sexuais e os reprodutivos? A endometriose!

Mas o governo só tem políticas de resultado para doenças letais, como os cânceres e a AIDS. Muitas pessoas não levam a endometriose a sério, só porque ela não mata. Não mata ao pé da letra, mas mata toda a mulher que existe dentro de nós. Precisamos de mudanças sérias na pauta Saúde da Mulher, já em 2011. Não podemos deixar para discutir em 2012, que vai deixar para 2013, 2014 aí vai, do jeito que muitos políticos no Brasil gostam: sempre adiar, mas nunca resolver nada. Precisamos de políticas sérias, mas não só aquelas que ficam no papel ou no papo. Temos que ter um forte engajamento para disseminar informações sobre a doença em palestras, campanhas, mas também, temos que realizar ações de verdade, que estejam presentes no dia a dia das portadoras.

Só nós, portadoras, sabemos o nosso sofrimento e as nossas limitações. Afinal, na Europa, a endo já é considerada uma doença social desde 2004. Sabe por quê? Porque o governo gastava mais dinheiro tratando as portadoras, do que com as mulheres que tinham câncer de mama, um dos mais perigosos por ser um dos mais propensos a metástase. Em todo o mundo, a endo é a segunda maior causa de cirurgias. Só perde para a cesárea, acredita! Só que, no caso da endo, não tem como os médicos tentarem fazer o parto normal. Pense nisso! Passe a informação adiante e torne-se um cidadão consciente.

Beijos com carinho e até a próxima!

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