quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pelve congelada, o que é isso?

Olá, muriaenses!

Quando passei a conhecer um pouco mais sobre a endometriose, muitas palavras, até então, desconhecidas foram agregadas em meu vocabulário. Um termo muito comum que escutamos entre as portadoras é a tal da “pelve congelada.” Confesso que eu também fiquei surpresa quando ouvi, pela primeira vez, esta palavra. A pelve congelada nada mais é do que as aderências entre os órgãos. Aderência? Outra esquisita, não?! Podemos relacionar a aderência como se fosse um chiclete grudado em nosso cabelo, que só sai ao cortar. Antes da minha cirurgia, a minha pelve estava congelada. O termo congelado é usado para designar que os órgãos abdominais (útero, ovários, trompas, intestino, etc) estão todos grudados, colados uns aos outros por uma membrana, o famoso “unidos venceremos”. Quem nunca ouviu esta expressão? As aderências são faixas anormais de tecidos cicatriciais que se formam na pelve. 

Com a pelve congelada, em muitos casos, não dá nem para saber onde começa e onde termina as aderências. O grude dos órgãos não tem tempo certo para acontecer. Depende do grau e dos focos. O certo mesmo é ter todos os órgãos da pelve soltos para que eles deslizem uns sobre os outros. Ter uma pelve congelada é muito perigoso. Durante a ovulação, por exemplo, que, teoricamente, deveria acontecer todos os meses, os ovários não estão livres para realizarem a movimentação necessária para que ocorra a ovulação. A pelve congelada causa muita dor na mulher. Até mesmo para quem tem os focos inativos. Era o meu caso. Mesmo sem ter focos ativos, eu morria de dor, o que foi confirmado pelo Dr. Hélio após a cirurgia. 

Com a pelve congelada, quando há a aderência do intestino, o simples movimento fisiológico natural do órgão durante a progressão de gases e fezes torna-se extremamente doloroso. Imaginem morrer de dor em todas as evacuações, urinas e etc. E, como disse o Dr. Hélio, no meu caso, eu tinha dor simplesmente pelo fato de respirar. Pois, para respirar, é realizamos o movimento abdominal. As aderências dos órgãos também causam muita dor durante a relação sexual. O mal da pelve congelada só pode ser tratado com a cirurgia. Só eu sei o que passei até chegar a minha operação. Mas, para cortar o mal pela raiz mesmo, só a cirurgia por videolaparoscopia. O tecido cicatricial, que causa as aderências, pode ser formado também no processo de cicatrização da cirurgia aberta, ou seja, a laparotomia, o vulgo corte de cesárea. 

Na cirurgia a laser, o risco de voltar é muito pequeno, mas não impossível. Para quem sente muita dor após ter feito a cirurgia é preciso averiguar o que está acontecendo. No meu retorno pós-cirurgia, a primeira pergunta que fiz foi: qual a chance de as aderências voltarem? Ouvi que, pela a de vídeo (que eu fiz) é mais ou menos 5%, enquanto a aberta é quase 80%. Entenderam a diferença? Portanto, conversar com o seu médico e esclarecer todas as dúvidas é muito importante. Aos poucos vou explicando sobre todos os termos esquisitos, que, nós portadoras de endometriose, temos que nos acostumar. Beijos com carinho e até novembro!

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